Trânsito IP é o contrato pelo qual um provedor maior leva seu tráfego para o resto da internet. Todo ISP tem pelo menos um, e a maioria escolhe pelo preço do megabit. O preço importa, mas é o único critério que o vendedor já otimizou antes de você perguntar. As sete verificações abaixo custam algumas horas de engenharia e prevêem muito melhor como o contrato se comporta no mês 14.
1. Por onde esse trânsito chega aos grandes destinos
Boa parte do seu tráfego vai para meia dúzia de redes de conteúdo. Antes de assinar, olhe o caminho real: peça o ASN do fornecedor e consulte um looking glass público (route-views.routeviews.org, ou o RIS do RIPE) para ver o as-path até essas redes.
$ telnet route-views.routeviews.org
route-views> show ip bgp 157.240.0.0/17
as-path: 3356 32934
Duas redes no caminho é bom; quatro ou cinco ASNs encadeados significam latência e pontos de falha que nenhum SLA seu cobre. Se o fornecedor tem cache das grandes CDNs dentro da própria rede, melhor ainda: pergunte quais, e onde.
2. Medição no horário que importa
Teste de banda às 10h da manhã mede o contrato vazio. O trânsito se prova entre 20h e 23h, quando a rede do fornecedor também está no pico dela. Negocie um período de teste que cubra ao menos uma semana de horários nobres, com medição feita do seu lado, além do gráfico que o fornecedor apresenta.
3. As comunidades BGP que o fornecedor oferece
Comunidades são etiquetas que você anexa aos seus anúncios para controlar como o fornecedor os trata. Um trânsito de verdade publica a lista; um revendedor de banda não sabe do que você está falando. O mínimo utilizável:
prepend 1x/2x/3x para trânsitos (engenharia de tráfego de entrada)
não anunciar para peers (controle de escoamento)
blackhole /32 e /128 (mitigação de DDoS na origem)
4. Blackhole com tempo de resposta
Sob um ataque volumétrico, a comunidade de blackhole descarta o tráfego do IP atacado na borda do fornecedor, antes de encher o seu link. Verifique se ela existe, se aceita anúncio /32, e em quanto tempo propaga. Sem isso, qualquer ataque maior que a sua porta vira indisponibilidade total, e a mitigação vira uma ligação para o suporte às 2h.
5. Como se cobra o excedente
O padrão do mercado é cobrança no percentil 95: as medições de 5 minutos do mês são ordenadas e descarta-se o 5% mais alto. Você paga o valor no ponto de corte. Leia como o contrato trata o que passa do compromisso: bursting a preço previsível é saudável; "sujeito a disponibilidade" significa que o seu pico de dezembro é problema seu.
6. MTTR escrito, com penalidade
Todo contrato promete disponibilidade; poucos definem MTTR (tempo médio de reparo) com número e desconto automático. Procure métrica verificável no lugar de "melhores esforços": reparo em 4 horas para falha total, desconto proporcional por hora excedida, e um NOC que atende engenheiro seu direto, sem script de nível 1.
7. Independência entre os seus trânsitos
Se você já tem um trânsito e está contratando o segundo, redundância só existe se os caminhos físicos forem distintos. Pergunte o traçado da fibra até você, com o desenho da rota, porque o endereço da ponta esconde as travessias compartilhadas no meio do caminho. Dois fornecedores diferentes dentro do mesmo cabo, na mesma travessia de ponte, caem juntos na mesma retroescavadeira. Já vimos ISP pagar dois contratos por uma redundância que não existia.
A checagem que resume as outras
Peça para falar com o engenheiro do fornecedor antes de assinar. Vinte minutos de conversa técnica mostram se as respostas dos seis itens anteriores existem de verdade ou se param na tabela de preços. Se quiser uma segunda opinião sobre um contrato específico, o e-mail é contato@castelapi.com.br.