O vendedor chega com a proposta numa sexta-feira. A tabela mostra o preço por megabit, um desconto para contrato de três anos e a assinatura pedida para a semana seguinte. O dono do provedor compara com a proposta do concorrente, olha a diferença de centavos e assina. Doze meses depois, numa noite de domingo com a rede lenta, ele descobre o que a tabela não dizia.
Esse contrato é o que o mercado chama de trânsito. É a ligação pela qual um provedor maior leva o tráfego dos seus clientes para o resto da internet. As sete perguntas abaixo cabem numa reunião de uma hora, sem engenheiro na mesa.
1. Por onde o tráfego chega aos grandes destinos
A maior parte do que os seus clientes consomem vem de meia dúzia de empresas de vídeo e redes sociais. Pergunte ao vendedor por quantas redes intermediárias o tráfego passa até chegar a elas. É como uma encomenda que troca de transportadora quatro vezes e chega atrasada, com mais pontos onde se perder. Duas redes no caminho é um bom sinal. Pergunte também se o fornecedor guarda cópias desse conteúdo dentro da própria rede, e em qual cidade.
2. A medição vale na hora em que a rede está cheia
Um teste de velocidade no meio da manhã mede o contrato vazio. A prova acontece à noite, quando todo mundo está em casa assistindo a vídeo. Peça um período de teste que cubra ao menos uma semana de noites, com a medição feita do seu lado. O gráfico que o fornecedor apresenta mostra a rede dele. O que importa é o que chega na sua.
3. O fornecedor aceita etiquetas de controle no tráfego
Um fornecedor de verdade deixa você marcar o tráfego com etiquetas que dizem como ele deve ser tratado. É como escrever "frágil" ou "entregar só pela manhã" na caixa da encomenda. Com elas, o seu técnico consegue desviar tráfego de um caminho para outro sem ligar para o suporte. Peça a lista dessas etiquetas por escrito, que no mercado se chamam comunidades. Um revendedor de banda não sabe do que você está falando, e isso já responde à pergunta.
4. Existe um botão de descarte para quando o link for atacado
Ataques que entopem o link, chamados de DDoS, são comuns e não escolhem tamanho de provedor. A defesa que funciona é o fornecedor descartar o tráfego do endereço atacado dentro da rede dele, antes de chegar ao seu link. No mercado, isso se chama blackhole. Pergunte se existe, se o seu técnico consegue acionar sozinho e em quantos minutos passa a valer. Sem isso, um ataque maior que a sua porta derruba todos os clientes, e a solução vira uma ligação de madrugada.
5. Como se cobra o que passa do contratado
O uso do link sobe e desce ao longo do mês. A cobrança mais comum descarta as poucas horas de pico mais altas e cobra pelo maior valor que sobrou. No contrato isso aparece com o nome de percentil 95. Leia o que acontece quando o uso passa do contratado, porque um preço previsível para o excedente é saudável. A frase "sujeito a disponibilidade" quer dizer que o pico de dezembro é problema seu.
6. O tempo de reparo tem de estar escrito
Todo contrato promete disponibilidade. Poucos dizem em quantas horas o fornecedor conserta uma falha total e qual desconto entra na fatura se passar disso. Procure um número escrito, como reparo em 4 horas para queda total e desconto proporcional por hora excedida. A expressão "melhores esforços" significa que prazo não existe. Pergunte também se o seu técnico fala direto com o engenheiro do fornecedor ou com um atendente lendo roteiro.
7. Dois contratos só dão redundância se os cabos forem diferentes
Se você está contratando o segundo fornecedor, o objetivo é a rede continuar de pé quando um deles cair. Isso só acontece se os dois cabos chegarem até você por caminhos físicos diferentes. Peça o desenho do traçado da fibra, porque o endereço da outra ponta esconde as travessias compartilhadas no meio. Dois fornecedores no mesmo poste, na mesma ponte, caem juntos na mesma retroescavadeira. Já vimos provedor pagar dois contratos por uma redundância que não existia.
A pergunta que resume as outras
Peça para conversar com o engenheiro do fornecedor antes de assinar, com o seu técnico ao lado. Vinte minutos mostram se as respostas às sete perguntas existem ou se param na tabela de preços. A Castelapi lê o rascunho do contrato, confere as respostas item por item e devolve por escrito o que pediria para mudar antes da assinatura.
Se o seu caso se parece com esse, a Castelapi olha o cenário e diz o que faria, [email protected].