Numa terça-feira, chega ao provedor um ofício da Justiça. Ele pede o nome do cliente que usava determinado endereço de internet num certo dia, às três da manhã, oito meses atrás. O prazo para responder é curto e a multa por ficar calado é real. Em muitos provedores pequenos, essa pergunta cai na mesa do dono, e ninguém sabe de onde tirar a resposta.
O que a lei manda guardar
O Marco Civil da Internet obriga o provedor a guardar, por 12 meses, os registros de conexão. Na prática, isso quer dizer saber qual cliente estava usando qual endereço em cada momento. O endereço é como o número de uma casa, e é ele que fica anotado do lado de lá quando alguém acessa um site.
Por que o endereço deixou de ser um por cliente
Os endereços de internet do tipo mais usado acabaram no mundo inteiro, e comprar no mercado custa caro por unidade. Por isso quase todo provedor faz vários clientes dividirem o mesmo endereço público. Esse compartilhamento tem nome técnico, CGNAT, e um equipamento na rede do provedor faz a divisão.
Pense num prédio com um único número na rua. Dentro, cada apartamento tem o seu, e o porteiro sabe quem mora onde. Quem vê de fora só enxerga o número do prédio. Se a Justiça pergunta quem recebeu certa visita, é o porteiro que tem de responder.
Anotar cada visita enche o prédio de papel
O jeito mais óbvio de o porteiro se garantir é anotar toda visita que passa pela portaria. Na internet, cada cliente faz dezenas de milhares dessas visitas por dia sem perceber, porque cada página e aplicativo abrem várias conexões. Num provedor de 40 mil clientes, isso dá bilhões de anotações por mês. Guardar 12 meses disso exige discos do tamanho de um pequeno data center, sempre consultáveis. Na prática, ou os discos enchem, ou ninguém liga a anotação e o ofício fica sem resposta.
Com uma regra fixa o porteiro não precisa anotar
O mesmo equipamento pode deixar de sortear uma porta de saída a cada conexão. Em vez disso, cada cliente recebe uma faixa fixa de portas, calculada por uma regra. A porta aqui é como o ramal do apartamento. O número do prédio é um só, e o ramal diz quem atendeu.
Com a regra fixa, o porteiro dispensa o caderno. Perguntado sobre o ramal tal, ele aplica a regra de trás para frente e chega ao apartamento. No provedor, a resposta ao ofício sai do cruzamento de duas listas pequenas. Uma é a regra de distribuição das portas. A outra é o cadastro de qual cliente estava em qual endereço interno naquele dia, que o sistema de login do provedor já gera sozinho.
O que muda no custo é a escala. As bilhões de anotações por mês viram algumas linhas por cliente por dia, só quando ele precisa de uma faixa extra no pico. Os 12 meses de guarda cabem em um servidor comum. A resposta ao ofício sai em minutos, numa consulta que qualquer técnico da casa repete.
O que verificar antes de comprar o equipamento
Nem todo equipamento que diz fazer o compartilhamento faz a distribuição por regra fixa. Antes de fechar a compra, peça a regra por escrito, porque sem ela o problema dos registros volta inteiro. Confira se jogos, chamadas de vídeo e câmeras de segurança funcionam atrás dele, porque é aí que o compartilhamento malfeito gera chamados. E o equipamento precisa avisar quando um cliente esgotou a própria faixa de portas. Para o cliente isso aparece como internet lenta, e sem o aviso o suporte procura no lugar errado.
Planeje pela base de clientes de daqui a dois anos
Quantos endereços públicos comprar depende do número de clientes e do tamanho da faixa de cada um. Faixa pequena espreme mais clientes por endereço, mas esgota para quem usa muita coisa ao mesmo tempo. Faixa folgada consome mais endereços. A Castelapi faz essa conta pela base projetada para daqui a dois anos, com sobra de propósito. A base de hoje envelhece antes da primeira expansão.
A nova geração de endereços, chamada IPv6, alivia essa conta. Com ela, vídeo e redes sociais deixam de passar pelo compartilhamento. Como ligar isso sem parar a rede fica para outro artigo.
Um compartilhamento configurado há mais de dois anos merece essa conta refeita. O sinal de alerta é ninguém conseguir dizer qual cliente estava atrás de um endereço numa data passada. A Castelapi olha a configuração real do equipamento, escreve o que mudaria e testa a resposta a um ofício antes de mexer na rede.
Se o seu caso se parece com esse, a Castelapi olha o cenário e diz o que faria, [email protected].