Quem não registra a certidão dos seus endereços em 2026

Sem a certidão de propriedade dos endereços, qualquer rede pode dizer que eles são dela e desviar o tráfego dos seus clientes. O que mudou em 2026 e o erro de preenchimento mais comum.

Numa terça-feira à tarde, os clientes de um provedor do interior param de conseguir abrir metade dos sites, e o suporte não acha defeito nenhum. Um técnico de outra empresa, longe dali, digitou um número errado numa configuração. Sem querer, ele avisou ao mundo que os endereços daquele provedor eram da empresa dele. Parte da internet acreditou e passou a mandar o tráfego para o lugar errado. O provedor só descobriu quando um cliente que entende do assunto ligou.

A internet acredita em quem fala primeiro

A internet é uma reunião de milhares de redes independentes, e cada uma avisa às vizinhas quais endereços estão com ela. O protocolo desse aviso, o BGP, nasceu quando todo mundo se conhecia, e aceita qualquer declaração. Se uma rede diz "esses endereços passam por aqui", as vizinhas acreditam e repassam adiante. Dessa confiança nascem os desvios de tráfego, do erro de digitação à fraude deliberada.

O remédio é uma certidão de propriedade. O dono de um bloco de endereços registra, num cartório digital reconhecido pelas redes do mundo inteiro, qual rede tem o direito de anunciá-lo. Esse registro se chama ROA, e o sistema de certidões se chama RPKI. Quem consulta o cartório antes de aceitar um aviso descarta o aviso vindo de quem não é dono.

Em 2026 o cartório deixou de ser opcional

As grandes operadoras internacionais descartam avisos sem certidão há anos, e o ponto de troca de tráfego brasileiro faz o mesmo. Editais de órgãos públicos e contratos de atacado passaram a exigir a certidão como critério. Quem ainda não registrou opera com dois custos, um técnico e um comercial.

O custo técnico é a desproteção. Endereço sem certidão ainda é aceito pela maioria das redes. Qualquer outra rede pode anunciá-lo por engano ou de propósito, e o aviso falso disputa em pé de igualdade com o verdadeiro. Se o aviso falso for mais específico, ele ganha.

O custo comercial é silencioso. Operadoras e compradores públicos conferem em segundos, em sites abertos, se o fornecedor tem a casa em ordem. Endereço sem certidão em 2026 sinaliza operação desatualizada, ainda que a rede funcione bem.

O erro de preenchimento mais comum derruba a própria rede

A certidão tem um campo chamado maxLength, o tamanho máximo, que define até que tamanho de pedaço do bloco ela cobre. Pense num terreno registrado inteiro em nome do dono. Se ele resolve negociar só um lote em separado, e a certidão diz que vale apenas para o terreno inteiro, o cartório recusa o lote. Na rede, é o que acontece quando o provedor registra o bloco inteiro e depois anuncia um pedaço menor para equilibrar o tráfego. As redes que consultam o cartório descartam o pedaço, e a rota do próprio provedor cai.

O erro contrário também existe. Se a certidão permite pedaços pequenos demais, ela reabre a porta que devia fechar. Um invasor que consiga se passar pela rede do dono anuncia um pedaço pequeno, e o cartório o aceita. A regra que funciona é uma certidão por anúncio feito hoje, com o tamanho máximo igual ao tamanho anunciado, e nada a mais.

Por isso o trabalho começa pelo inventário. Antes de registrar, a Castelapi levanta o que a rede realmente anuncia hoje, inclusive os pedaços antigos que todo mundo esqueceu. Certidão registrada sobre inventário errado tira a rede do ar na mesma hora.

O caminho curto passa pelo Registro.br

Para provedores brasileiros com blocos do Registro.br, o órgão que distribui endereços no país, o registro se faz no próprio painel dele, sem equipamento novo. Cria-se uma certidão por anúncio, e a publicação chega ao mundo inteiro no mesmo dia. A conferência é feita de fora, em sites abertos que mostram em segundos se o anúncio está válido. Operações maiores, com muitos blocos e mudanças frequentes, podem preferir um cartório próprio delegado; para a maioria dos provedores o painel basta.

Falta proteger o seu cliente dos outros

Registrar a certidão protege os seus endereços quando eles circulam pelas redes alheias. O seu cliente ainda pode ser levado a um endereço falso de terceiros se a sua rede aceitar qualquer aviso. Para fechar esse lado, a borda da rede passa a consultar o cartório antes de aceitar. A Castelapi começa em modo de observação, contando quantos avisos sem certidão chegam hoje, e só depois liga o descarte, com data marcada.

Registrar as certidões pelo painel do Registro.br é trabalho de uma tarde, incluindo o inventário. O inventário é a comparação entre o que a rede anuncia hoje e o que deveria anunciar. É nele que a Castelapi costuma entrar, medindo antes e deixando a lista escrita.

Se o seu caso se parece com esse, a Castelapi olha o cenário e diz o que faria, [email protected].

continue lendo

Artigos relacionados