Dois sistemas que conversam sem perder pedido

Quando o sistema de vendas avisa o de cobrança, o aviso pode não chegar, chegar duas vezes ou parar de vir sem ninguém notar. Os três defeitos e o que se faz contra cada um.

A loja fechou uma venda no sistema do caixa às 18h40 de uma sexta-feira. O sistema de cobrança deveria gerar o boleto na mesma hora, e não gerou. Ninguém percebeu até a segunda-feira, quando o cliente ligou perguntando como pagar. Entre os dois sistemas existia uma ligação automática, e ela falhou sem avisar ninguém.

Um sistema toca a campainha do outro

Quando algo acontece no sistema A (uma venda, um agendamento, uma mensagem), ele toca a campainha do sistema B para avisar. Os técnicos chamam essa campainha de webhook. É o jeito mais comum de fazer dois sistemas conversarem, e o funcionamento normal é simples de montar. A parte que quase ninguém monta é o que acontece quando a campainha falha.

Ela falha de três jeitos. Toca sem ninguém em casa, toca duas vezes e o pedido sai em dobro, ou para de tocar sem que ninguém perceba. Cada defeito tem um remédio conhecido. A integração que roda anos sem susto aplica os três, e a que perde pedido de madrugada aplicou só um ou dois.

A campainha toca e ninguém está em casa

O sistema B pode estar fora do ar, ou ocupado demais para responder a tempo. O sistema A, quando é bem feito, espera alguns segundos pela resposta e, sem ela, toca de novo mais tarde. O problema aparece quando B tenta fazer tudo de uma vez antes de responder, como gerar o boleto, mandar o e-mail e baixar o estoque. Se qualquer passo demorar, A desiste, marca falha e toca de novo, com metade do trabalho já feito.

O remédio é inverter a ordem. Ao ouvir a campainha, B só anota o recado num caderno e responde que recebeu. A campainha fica na rua e qualquer um pode tocar, então B confere a assinatura do recado, um código que só os dois sabem calcular. Um funcionário separado, dentro do próprio sistema, lê o caderno de tempos em tempos e faz o trabalho de verdade. A resposta passa a levar uma fração de segundo, e mil avisos de uma vez viram fila em vez de avalanche.

Esse funcionário também tropeça, porque o sistema de cobrança cai ou o dado vem errado. Tentar de novo sem parar só transforma um tropeço passageiro em martelada. Ele espera um pouco mais a cada tentativa, de um minuto até algumas horas. Depois de cinco tentativas marca o recado como morto e chama alguém, sem jogar nada fora. A Castelapi testa esse caminho antes de entregar, derrubando o destino de propósito e assistindo à fila se recuperar.

A campainha toca duas vezes e o pedido sai em dobro

Como A toca de novo sempre que não recebe resposta, o mesmo aviso vai chegar mais de uma vez. Isso faz parte da regra do jogo, e B precisa reconhecer a repetição sem repetir o efeito. O jeito barato e seguro é usar o número de protocolo que A manda junto com cada aviso. O caderno de B recusa duas linhas com o mesmo número, e na segunda vez B responde que recebeu e joga fora.

Conferir a repetição só na memória do sistema, sem gravar, protege até o primeiro reinício. Depois do reinício a memória zera, o pedido repetido passa e o cliente recebe dois boletos. A conferência tem de ficar gravada no caderno, onde o reinício não alcança.

A campainha para de tocar e ninguém percebe

Os dois remédios acima cobrem as falhas que dá para prever. Sobra a categoria que nenhum programa prevê. Alguém trocou a senha combinada entre os sistemas, alterou o endereço da campainha por engano, ou o sistema A simplesmente parou de avisar. Em todos esses casos B simplesmente para de receber avisos, o que também acontece num dia sem vendas. Por isso a falha se esconde atrás de um dia normal.

Para essa categoria o remédio é contábil, como o fechamento de caixa. Uma vez por dia, B pede a A a lista de tudo que aconteceu nas últimas 24 horas e compara com o caderno. Se A diz que houve 1.412 vendas e o caderno tem 1.409, faltam três, e o alerta sai com os números das três. Comparar lista contra lista pega até o caso em que uma perda e uma sobra se cancelam no total.

Sem essa conferência, as três vendas perdidas de hoje seriam descobertas no fechamento do mês, pelo contador ou pelo cliente que ligou. Há um teste simples para fazer na segunda-feira. Pergunte a quem cuida dos seus sistemas quantos avisos a ligação mais importante perdeu nos últimos três meses. Se ninguém souber responder, o primeiro trabalho é instalar a conferência diária, e a Castelapi começa por ela.

Se o seu caso se parece com esse, a Castelapi olha o cenário e diz o que faria, [email protected].

continue lendo

Artigos relacionados